Cotas em universidades? Estamos quase lá.

cotasNo último dia 13 foi realizada na Assembléia legislativa do Ceará uma sessão que discutiu a implementação de cotas em nossas universidades; esse tema não é mais nenhuma novidade, já se tem ouvido falar costumeiramente sobre algo parecido mas pouco se tem de concreto além de projetos. Antes de mais nada é necessário que se esclareça no que consiste esse sistema de cotas em universidades e aqui no Ceará mais precisamente o projeto prevê que 50% das vagas de universidades públicas seriam destinadas para alunos do ensino público, índios e negros, ou seja os alunos que se inscrevessem no vestibular possuindo esse perfil concorreriam dentro dessas vagas. Essa medida visa inserir no ensino superior pessoas que na atual conjuntura encontram dificuldades em chegar a esse patamar pela discriminação, aumentando as chances de todos na sociedade galgarem posições de destaque ou simplesmente empregos e melhores condições de vida . Ou seja esses grupos marginalizados por meio da cotas teriam condições de enfim venceram o obstáculo quase intransponível da discriminação.

A discriminação está tão enraizada em nossa sociedade que não nos damos conta; achamos normais a quase ausência de negros e de colegas de colégios públicos em nossas universidades, passa a ser algo banal. Aí alguns dizem que não há discriminação no Brasil, que aqui não existe qualquer espécie de preconceito e as cotas é que seria uma forma de discriminação a esses grupos. A discriminação está também na diferenciação de oportunidades que essas camadas possuem, não somente em relação a forma natural que convivemos com pessoas diferentes de nós mesmos. Ou seja o Brasil é sim um país com discriminação porque diferencia na sociedade aqueles que podem ou não ter seus potenciais desenvolvidos.

Quando no começo do meu estudo sobre as cotas eu me mostrava um pouco receoso em relação a estas, conquanto com um pouco mais de tempo aqueles meus pensamentos negativos sobre essas medidas acabaram por ser amenizados; primeiramente se pode pensar que resguardando tais vagas para esses grupos a margem da sociedade estar-se-ia colocando em risco a qualidade do ensino superior brasileiro e pior legalizando a diferenciação entre os cidadãos de acordo com sua raça e status social. Isso na verdade é apenas um detalhe dentro de um contexto maior já que na prática essa diferenciação já existe, a nossa Constituição Federal, nossa lei maior, iguala todos perante a lei garantindo os direitos ali existentes, direitos esses como a educação; mas do que adianta ela nos garantir uma igualdade se na prática não é o que acontece; as cotas estão ai como um instrumento para efetivar, tornar prático, aquilo que está na lei noutras palavras garantir o acesso ao ensino superior a todos e fazer disso um trampolim para alcançarem outros objetivos até então de difícil acesso devido ao problema da discriminação que está enraizada em nosso povo.

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· Produzido em: 08-15-07 · 7 Comentários »



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7 Comentários para “Cotas em universidades? Estamos quase lá.”

  1. Leonardo Pessoa disse:

    Um país que quer se ver livre de discriminação e preconceito propondo um sistema de cotas? Extremamento contraditório. Sou contra sim.

    Belo Texto

    Abraços!

    agosto 15th, 2007 ás 1:34
  2. José Ricardo disse:

    Boa a sua posição, coerente com as desigualdades produzidas pelo racismo. Só com medidadas focadas nestas desigualdades se poderá reduzir os seus efeitos
    No meu blog fiz uma postagem sobre a afroblogosfera.
    Abs

    agosto 15th, 2007 ás 6:02
  3. Aluisio Saboya disse:

    O problema é que tudo nessa vida tem que ser definido em 2 ou mais cores pensam que tudo é como tecnologia RGB ou algo do tipo, tem que ser ao contrario igualdade de cor.. direitos Homogêneos!
    abraço José!

    Leo, é foda o nossos governantes não dão uma dentro!
    mas o que resta é esperar aparecer um cidadão que se candidate
    a presidência e quando for eleito não deixe de ser cidadão !
    abraço man!

    agosto 15th, 2007 ás 7:34
  4. Cabrobo disse:

    Pow… muito massa falar sobre isso saboya. Tou numa universidade publica e tenho uma certa opiniao sobre isso.

    Eu acho q oq deveria ser melhorado era o ensino das escolas publicas. Melhorar a educacao no Brasil todo. Tem muito aluno de escola publica que faz um curso de dificil acesso como medicina, pq?

    Pq vao estudar, procuram uma biblioteca publica e se dedicam. O ensino de uma escola publica eh mto precaria e precisa ser melhorada.
    Se for melhorado esse problema, esse sistema de cotas nem precisa existir.

    agosto 16th, 2007 ás 8:44
  5. Cotas disse:

    Sou pró-cotas, mas para alunos de escolas públicas, independente da raça. Se um branco é pobre, será tão ajudado quanto o negro que é pobre. Esse é um critério menos polêmico, mais justo e simples de pôr em prática, já o critério de raça não tem a mesma simplicidade e eficacia de ser adotado.

    Um abraço… Até.

    agosto 16th, 2007 ás 1:32
  6. zé carlos machado disse:

    quanto ao comentário do Cabrobo…é claro que todos nós queremos que o ensino público tenha sua qualidade melhorada, mas enquanto isso não ocorre a atual geração que lá estuda torna-se vítima desse sistema de pessima qualidade, seria como punir essas pessoas por não terem condições de estudar numa escola privada…então enquanto não se tem uma melhoria nas escolas seria adequado da oportunidades a esses alunos também crescerem na vida.

    agosto 17th, 2007 ás 3:03
  7. Tiago Albineli Motta disse:

    O regime de cotas é já em sua origem racista, pois separa os brasileiros em duas raças distintas, o que não tem base científica nem sociológica alguma.

    A grande maioria dos brasileiros é de mestiços, certa de 87%, segundo pesquisa genética apresentada recentemente. Logo definir alguém como negro, ou outrem como branco, não é nada mais que uma arbitrariedade. Como por exemplo o caso dos gêmeos idênticos de Brasília que foram definidos, um como branco e outro como negro.

    Se dizer a favor das cotas porque é contra o racismo é de uma hipocrisia sem tamanho. O regime de cotas baseado em cor, é mais de exclusão que inclusão. O que será do branco pobre? Além de não ter instrução adequada é obrigado a ter menos vagas ainda. E do negro rico, que será o mais privilegiado de todos?

    Sem contar com o poder que terá os membros deste tribunal racial. Truibunal este à imagem e semelhança do regime de Hitler, e do apartheid. Terão eles o poder de definir o futuro de um jovem arbitrariamente, sem qualquer base científica.

    agosto 20th, 2007 ás 6:23

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